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Marketing para psicólogos: o que o CFP permite e o que veda

Marketing para psicólogos dentro do Código de Ética do CFP: o que a divulgação pode ter, o que fica de fora e como revisar cada peça antes de publicar.

Ética e divulgação ·

Por Terads · 5 min de leitura

Título do post sobre marketing para psicólogos em letras claras sobre fundo verde-escuro com folhagem

Marketing para psicólogos é permitido, e o Conselho Federal de Psicologia trata a divulgação como parte legítima do exercício profissional. O que o CFP define é a forma: a publicidade precisa identificar quem atende, informar com precisão e proteger a pessoa atendida. Quem entende esses limites divulga com tranquilidade e evita a insegurança que paralisa tantos profissionais.

Este guia reúne o que diz o Código de Ética Profissional do Psicólogo, a Resolução CFP 003/2007 e a Nota Técnica CFP 1/2022, com exemplos de frases que funcionam e de frases que devem ser evitadas.

O que o marketing para psicólogos pode ter

A base é o artigo 20 do Código de Ética Profissional do Psicólogo. Ele não proíbe a divulgação. Ele organiza como ela deve acontecer. Na prática, cabem na comunicação de um consultório:

  • Identificação completa: nome completo ou nome social, a palavra psicóloga ou psicólogo e o número de inscrição no CRP com a região.
  • Formação e qualificações reais: cursos, abordagens e títulos que a pessoa de fato possui.
  • Público e modalidade: com quem você trabalha, se o atendimento é presencial, online ou nos dois formatos, e em que cidade.
  • Conteúdo educativo: textos e vídeos que explicam temas da psicologia com base científica, em linguagem acessível.
  • Forma de contato: WhatsApp, agenda online ou telefone, apresentados de maneira serena.

A Cartilha de publicidade profissional do CRP-MG, revisada em abril de 2026, acrescenta um ponto útil: apelidos, artes e logotipos são permitidos quando aparecem vinculados ao nome completo, ao CRP e ao número de inscrição.

O que fica de fora da divulgação

As vedações também estão no artigo 20 e nos artigos 53 a 58 da Resolução CFP 003/2007. Elas se resumem em cinco grupos.

  1. Prometer resultado ou prazo. Frases que garantem a superação de uma queixa em certo número de sessões contrariam o código, mesmo quando há literatura que sustente bons resultados.
  2. Usar o preço como propaganda. Valores são informados de forma reservada à pessoa interessada. Ofertas, pacotes e condições especiais não entram na divulgação.
  3. Expor quem é atendido. Relatos de caso, prints de conversa e qualquer material que possa identificar uma pessoa atendida ficam fora da comunicação.
  4. Comparar-se com colegas. O diferencial aparece pela formação e pela forma de trabalho, nunca por adjetivos que diminuam outros profissionais.
  5. Sensacionalismo e urgência artificial. Mensagens que exploram o sofrimento ou pressionam a decisão de buscar atendimento não cabem na publicidade profissional.

O que a norma pede é precisão: dizer quem você é, como trabalha e como a pessoa pode chegar até você.

Exemplos práticos: antes e depois da revisão ética

Ver a regra aplicada a uma frase real ajuda mais do que a regra sozinha. Abaixo, três ajustes comuns.

Sobre resultado. Em vez de "Supere a ansiedade em oito sessões", prefira "A psicoterapia pode ajudar a compreender o que sustenta a ansiedade e a construir novas formas de lidar com ela."

Sobre o leitor. Em vez de "Você sofre de ansiedade?", prefira "Há dias em que a preocupação ocupa mais espaço do que deveria." A primeira frase atribui uma condição a quem lê. A segunda descreve uma experiência comum sem diagnosticar ninguém.

Sobre o contato. Em vez de "Últimas vagas, agende agora", prefira "Para agendar uma conversa, fale pelo WhatsApp." O convite sereno respeita o tempo de quem ainda está decidindo.

Esse mesmo raciocínio vale para cada peça: post, anúncio, página do site e mensagem automática. Na Terads, toda publicação passa por uma revisão ética antes de ir ao ar, justamente para que o profissional não precise fazer essa conferência sozinho.

Marketing para psicólogos nas redes sociais

A Nota Técnica CFP 1/2022 foi publicada para orientar a divulgação nas redes. Ela reforça a identificação obrigatória, a proteção do sigilo e a vedação de previsões taxativas e de publicidade sensacionalista.

Dois pontos da nota costumam surpreender:

  • A responsabilidade continua sendo do psicólogo, mesmo quando a divulgação é feita por uma agência, uma plataforma ou um profissional de marketing. Por isso, contratar ajuda não dispensa conhecer as regras.
  • Perfis pessoais pedem cuidado. Quando a divulgação profissional acontece no perfil pessoal, o CFP recomenda atenção para que as informações não se confundam.

Para um passo a passo de conteúdo, veja o guia de Instagram para psicólogos.

Onde a divulgação ética aparece na prática

Uma estratégia completa costuma combinar três frentes, cada uma com regras próprias além das do CFP:

CanalO que entregaCuidado principal
Perfil da Empresa no GooglePresença no mapa e na busca localNome real do consultório, sem palavras-chave extras
Site e blogInformação completa e encontrávelIdentificação, clareza e fontes
AnúnciosAlcance para quem está procurandoPolíticas de saúde do Google e da Meta

Cada frente tem um guia próprio neste blog: Google Meu Negócio para psicólogos, Google Ads para psicólogos e site para psicólogos.

Como revisar uma peça antes de publicar

Uma lista curta, aplicada a cada publicação, evita a maior parte dos problemas:

  1. A peça identifica nome, profissão e CRP com a região?
  2. Os títulos citados são reais e estão descritos com precisão?
  3. Há alguma promessa de resultado, de prazo ou de cura?
  4. O preço aparece como atrativo?
  5. Algum detalhe pode identificar uma pessoa atendida?
  6. A frase atribui uma condição de saúde a quem lê?
  7. O convite ao contato é sereno, sem urgência artificial?

Se todas as respostas estiverem em ordem, a peça está pronta. Em caso de dúvida, o setor de orientação do seu CRP é o canal oficial para consultas.

Perguntas frequentes

Psicólogo pode fazer marketing?

Pode. O Código de Ética do CFP permite a divulgação profissional e define como ela deve acontecer: com identificação completa, informações verdadeiras e respeito ao sigilo, sem promessas de resultado e sem o preço como propaganda.

Psicólogo pode divulgar o valor da sessão?

O preço não pode ser usado como propaganda. A orientação do CFP é informar valores de forma reservada à pessoa interessada, antes do início do atendimento, e não em anúncios ou posts.

Psicólogo pode usar depoimentos de pacientes?

O CFP admite depoimentos autorizados por escrito que não identifiquem a pessoa, mas não os recomenda, porque expõem o vínculo terapêutico. Na Terads, a política é não produzir nem publicar depoimentos de pacientes.

Quem responde pela publicidade feita por uma agência?

O psicólogo. A Nota Técnica CFP 1/2022 deixa claro que a responsabilidade ética continua sendo do profissional, mesmo quando a divulgação é feita por terceiros.

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